Krystel Chaker

Sobre o espaço partilhado e o que lá acontece

A Krystel chegou à organização de retiros da mesma forma que chegou à sua própria prática: reparando no que realmente funcionava. O que mudou ao longo dos anos não veio do esforço nem da acumulação. Veio de abrandar, de estar na natureza, de partilhar espaço com outras pessoas de uma forma real, e não encenada. A certa altura, dar aulas de ioga numa sala já não chegava. Quis construir algo que desse às pessoas as condições para algo mais profundo: o reencontro como um processo calmo e paciente.

Sobre o espaço

Quando a Krystel procura um lugar para um retiro, segue o que sente antes da lógica. Procura espaços que pareçam vivos, perto da natureza, lugares que fazem parte do trabalho antes de alguém dizer uma palavra. A luz importa. A simplicidade importa. Atraem-na salas e paisagens onde a natureza é a personagem principal. Espaços com design a mais não lhe interessam.

«Presto atenção à forma como o corpo reage quando chegamos. Se houver uma sensação de expansão e de calma ao mesmo tempo, normalmente é um sim.»

Sobre a sua própria prática

Na maior parte do tempo, é simples. Luz natural, silêncio, espaço suficiente para respirar e mexer-se. Às vezes em casa, às vezes ao ar livre, perto do mar. Não precisa de muito.

O que faz em cada dia depende do que precisa, física e emocionalmente. Há dias em que a prática é forte e dinâmica; noutros é mais lenta, à volta da respiração, da mobilidade ou da quietude. Começa por perceber como está, em vez de impor uma estrutura. Com os anos, tornou-se menos uma questão de desempenho e mais de escuta.

A única constante: música, consoante o estado de espírito. Seja qual for a prática, esteja onde estiver, mantém-na ligada.

Sobre o que acontece

Os seus encontros passam por Hatha e Vinyasa yoga, respiração, meditação e momentos de verdadeira quietude. A estrutura é sempre espaçosa, com tempo para integrar o que vai surgindo. Há refeições partilhadas, conversas, silêncio, tempo lá fora.

As pessoas vêm por razões diferentes. Algumas precisam de libertar alguma coisa. Outras vêm encontrar clareza, ou voltar a sentir-se mais elas próprias. A Krystel não pede a ninguém que chegue de uma determinada forma. A prática vai ao encontro de cada pessoa onde ela está.

«Isto não tem a ver com perfeição nem com ser bom em ioga. Tem a ver com presença. Não precisas de chegar de nenhuma forma específica; chegas simplesmente como és.»

O que as pessoas levam para casa

Ela não tenta definir o que as pessoas vão sentir quando saírem. O que nota, na maior parte das vezes, é que parecem mais leves. E um pouco mais seguras de si do que quando chegaram.

E isso chega.

A Krystel está a planear o próximo retiro em Madrid este verão.